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BENEFÍCIOS DE APRENDER UM SEGUNDO IDIOMA NA INFÂNCIA

  • O cérebro, em pleno desenvolvimento, facilita a construção de novas habilidades.
  • A língua materna, por não estar firmemente estruturada e fixada, não interfere no aprendizado da segunda língua.
  • O aprendizado de uma segunda língua não interfere no da língua materna.
  • O aprendizado da criança acontece de forma natural.
  • As crianças têm uma capacidade de assimilação superior a dos adultos.
  • As crianças têm maior facilidade na pronúncia e melhor fluência devido à grande capacidade de diferenciar sons e maior flexibilidade muscular do seu aparelho articulatório.

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Segundo pesquisas, a melhor fase da vida para aprender um segundo idioma, com ótimo desempenho de pronúncia e fluência, é a infância.

Nessa fase, o cérebro está em pleno desenvolvimento, o que facilita a construção de novas habilidades. Portanto, qualquer criança que não apresente nenhum déficit neurológico tem capacidade de aprender a falar um outro idioma ao qual for exposta, independentemente de sua nacionalidade. A esse período de maior aprendizagem dá-se o nome de "período crítico".

Vários são os defensores desse conceito. Em média, os estudiosos afirmam que a melhor idade para o aprendizado de línguas estrangeiras situa-se entre os 4 e os 10 anos de idade. Acredita-se que nessa fase, pelo fato de a língua materna ainda não estar firmemente estruturada e fixada, ela não interfere no processo de aprendizagem.

Existem diversos fatores que ajudam a explicar o fenômeno da idade crítica. Segundo Stephen Krashen, um dos pioneiros do movimento comunicativo de aprendizagem, existem algumas hipóteses que explicam a aquisição de uma segunda língua, como por exemplo:

1) Aquisição X aprendizagem
Uma pessoa pode desenvolver a competência em uma segunda língua através da aquisição ou da aprendizagem. A aquisição se dá de forma semelhante à que a criança utiliza para desenvolver a primeira língua, ou seja, de forma subconsciente. Normalmente, a criança não está consciente do fato de que está adquirindo a linguagem, mas está consciente de que a está utilizando para a comunicação, embora não tenha preocupações de acerto com relação às regras gramaticais.
Já a aprendizagem refere-se ao conhecimento consciente de uma segunda língua e da utilização de suas regras. É o que se chama de conhecimento formal da língua; é o aprender sobre a língua.

2) Input
Durante a aquisição, o aluno passa por estágios nos quais recebe "linguagem", que de certa forma está sendo colocada "dentro do aluno". Depende dele aceitar recebê-la ou não. A isso se dá o nome de input.

O input pode advir do professor, dos materiais e dos próprios colegas. Ele deve ser compreensível, mas sempre um pouco acima do seu nível de competência para que ocorra a aquisição da língua.

Também pode ser utilizado um discurso simplificado caracterizado por uma velocidade mais lenta, repetição, etc. para que possa ocorrer a comunicação. O aluno progride de forma natural.

Dessa forma, conclui-se que os ambientes de convívio da criança são mais propícios ao aprendizado de línguas e que a função do professor é a de tornar o input compreensível, promovendo situações nas quais a comunicação seja necessária (caso contrário, não haverá aquisição).

Assim, o foco é a mensagem e a comunicação. O aluno não está preocupado com o "como dizer", mas sim com o "o que dizer". Porém, da qualidade e quantidade do input recebido pelo aluno depende a sua produção lingüística.

3) Filtro afetivo
O filtro afetivo está relacionado à motivação, ansiedade e autoconfiança. Eles impedem ou facilitam o recebimento de input. Portanto, influem no processo de aquisição de uma língua mais do que no de aprendizagem. Isso explica porque pessoas expostas a uma grande quantidade de input às vezes não atingem o nível desejado e esperado.

Portanto, a situação ideal para ensino seria aquela que:

  • causa menos ansiedade, falta de autoconfiança e inibição, ou seja, encorajando a diminuição das barreiras psicológicas;
  • motiva o maior número de alunos;
  • desenvolve atitudes receptivas à aprendizagem, favorecendo a busca e recepção de input.

Fica claro e evidente que as crianças têm uma capacidade de assimilação superior a dos adultos, já que estão livres de bloqueios inerentes aos adolescentes e, principalmente, adultos, devido ao ritmo de vida que possuem.

Lateralização do cérebro
Há, no entanto, outras explicações para a questão da idade crítica. Segundo alguns estudiosos, uma delas é a da lateralização do cérebro.

De acordo com pesquisas na área da neurologia, no cérebro de uma criança os dois hemisférios estão mais interligados do que no cérebro de um adulto. A assimilação da língua ocorre do hemisfério direito (que é o lado criativo, responsável pelas emoções, percepção e construção de modelos e estrutura de conhecimento) para o hemisfério esquerdo (que é o lado lógico, analítico), tornando-se a habilidade permanente.

Audição precisa e flexibilidade muscular do aparelho articulatório
Podemos também citar outros fatores que ajudam a explicar a marcante superioridade infantil no processo de assimilação de uma língua: a grande capacidade de diferenciar sons e uma maior flexibilidade muscular do aparelho articulatório (cordas vocais, cavidade bucal, língua, etc.). Essa superioridade se mostra, especialmente, com relação à pronúncia e fluência.

Conhecimento acumulado X habilidade assimilada
Uma diferença importante entre a criança e o adulto é que o adulto já possui uma bagagem bem maior de conhecimento acumulado e é capaz de lidar com conceitos abstratos e hipotéticos. Já a criança depende especialmente de experiências concretas.

Sendo assim, e sabendo-se que a proficiência lingüística pouco depende de conhecimento acumulado, mas sim de habilidade assimilada na prática, construída através de experiências concretas, explica-se a superioridade das crianças no aprendizado de uma língua.

Conclusão
Várias são as hipóteses e os estudos feitos acerca desse assunto. Mas o que se pode concluir é que as crianças definitivamente assimilam com mais facilidade uma segunda língua, principalmente no que diz respeito à pronúncia e fluência.

Bibliografia
Krashen, Stephen D. Principles and Practice in Second Language Acquisition. Prentice-Hall International, 1987.

Krashen, Stephen D. Second Language Acquisition and Second Language Learning. Prentice-Hall International, 1988.

Krashen, S. D. & Terrel, T. The Natural Approach. Language Acquisition in the Classroom. San Francisco, Alemany Press, 1987.

Chomsky, N. Knowledge of Language; its Nature, Origin and Use. New Yourk, Praeger, Série Convergence, 1986.

Vygotsky, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo, Martins Fontes, 1994.

Shütz, Ricardo. A Idade e o Aprendizado de Línguas. English Made in Brazil.
<http://www.sk.com.br/sk-apre2.html>. Online. 30 de agosto de 2005


 
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